Mariana Braga de Lima entende de lingerie um pouco acima da média da população. Brasiliense radicada em Ipanema, ela abandonou um confortável emprego no marketing de uma multinacional para abrir sua própria marca de underwear, a Verve, em agosto de 2002.

 

Verve, segundo o Houaiss, é entusiasmo, inspiração, graça ou vivacidade. E é com esses atributos que a marca vem crescendo e agradando com peças confortáveis, bem-feitas e cheias de bossa. “Temos uma preocupação com a vestibilidade e o conforto, além de cuidado técnico na montagem da peça e bom gosto na escolha de materiais, enfeites e estampas”, define Mariana.

 

Hoje, a marca conta com sete lojas próprias (cinco no Rio de Janeiro e duas em São Paulo), marca presença em multimarcas e mantém um blog inspirador (http://vervelingerie.wordpress.com), que merece a visita. “Nosso próximo desafio é começar a vender online”, avisa a empresária.

 

Na entrevista a seguir, Mariana fala dos elementos que merecem cuidado especial na hora de desenhar e criar lingeries, conta de como suas clientes a inspiram, fala do que buscam as mulheres da Verve e libera uma lista de livros-referência no assunto. Com você, Mariana Braga de Lima...

 

Que tipo de preocupação você tem na hora de criar e desenvolver uma peça de lingerie? Que tipo de fator orienta suas criações?

O primeiro deles é vestibilidade, lingerie é um tipo de peça que não dá para ser desconfortável. Não adianta fazer uma peça linda que vai te incomodar o dia inteiro, uma calcinha que fica entrando no bumbum, um aro apertado, são milhões de coisas que não podem acontecer... Tem que pensar muito nessa coisa do conforto. Pra fazer essa construção são uma série de fatores envolvidos: a modelagem é muito importante, o tecido e os aviamentos também. Por exemplo, o elástico de uma calcinha. Se ele for curto, vai tencionar a pele e pode te machucar. São pequenas coisas que fazem a diferença. E depois aliar a isso uma beleza. Você não precisa abrir mão da beleza para estar confortável. Aí você investe em enfeites, rendas, estampas etc. para deixar a peça mais bonita e charmosa.

 

Moda tem muito a ver com comportamento, lingerie talvez de uma maneira ainda mais íntima. Como você enxerga as vontades e desejos da sua consumidora hoje em dia?

Isso varia muito de acordo com a faixa etária e com perfil das pessoas, tem mulheres mais conservadoras, outras mais ousadas. De uma maneira geral a mulher está encarando a lingerie como uma peça de moda. Ela dá mais valor para a lingerie e entende essa peça como um acessório. O que é bacana na experiência Verve é quando a mulher começa a entender que lingerie é uma compra que ela faz pra ela e não para o outro. Antigamente, a mulher comprava lingerie para uma ocasião especial, para o namorado apreciar etc. Hoje essa compra é quase um ato de auto-indulgência, de sair do banho, por a lingerie, fazer a maquiagem e se olhar no espelho com uma peça bacana. É tão bom, faz um bem para a alma. É uma maneira de se curtir, de pensar em você mesma, de investir em você, de se curtir naquele momento. É bacana ver as mulheres descobrirem essa brincadeira.

 

Qual a maior novidade deste mercado atualmente? Existe alguma inovação tecnológica ou de processo de estamparia etc que tem ajudado a melhorar os produtos?

São muitas as coisas que vão evoluindo, principalmente nas matérias-primas. Hoje você tem uma variedade maior de tecidos, começaram a vir tecidos mais leves desde o algodão até os tecidos mais tecnológicos. A Verve faz lingerie de cetim, de seda, de viscose, de algodão, cetim de seda, rendas elásticas, lãs, bordados, tecidos que misturam poliamida... E cada um deles traz uma característica diversa. É bacana poder sair da caixinha e ter esse olhar mais criativo para o segmento. E tem coisas de tecnologia. Os bojos: a gente hoje tem uma infinidade de modelos mais leves e que permitem respiração. Cada parte de indústria tem trabalhado para oferecer um produto melhor. Isso vale para ferragens, elásticos, que hoje podem ser estampados, a própria tecnologia de estamparia, que antes era serigrafia e agora pode ser digital, para você estampar o que quiser com uma qualidade incrível. Isso tudo faz com que o resultado final fique muito melhor.

 

Que tipo de coisa te inspira na criação?

A gente olha tudo que acontece no mundo da moda como um todo, mas a gente se inspira muito nessa mulher que tem verve, que tem o que dizer, que é inteligente, madura, sabe o que quer, que se arrisca e se expõe. Não é uma mulher da categoria enfeite. Algumas são famosas, outras são anônimas. Receber uma cliente que é avó, que tem quase 70 anos e joga golfe, sai com as amigas, vai ao teatro e está interessada em comprar uma lingerie bacana é muito inspirador. O que essa avó tem a ver com a universitária, a mulher de 30, 40 anos que também é cliente da Verve? Ela está conectada com a vida mais que com tudo. Ela cuida do lado corporal, cuida da porção avó, é uma mulher antes de tudo, ela é plural. Essa mulher é inspiradora para a gente.

 

Na sua opinião, qual a grande vantagem da moda de agora para as consumidoras?

A moda hoje está muito democrática. A grande sacação pra mim é perceber qual é o seu estilo. Aí você faz a escolha em cima do que te favorece, do que tem a ver com você. Cada vez as opções estão mais amplas, você pode estar muito bem sendo mais ousada, sendo mais clássica, mais esportiva, você tem um universo de opções que conversa com a cena atual, que é contemporâneo e tem a ver com você.