Uma das principais marcas de jeanswear do mercado brasileiro, a Jeanseria vem fazendo sucesso há mais de oito anos dedicando-se única e exclusivamente a criações em denim.
Com um showroom em SP e centenas de pontos-de-venda espalhados por todo o país, a marca produz uma média de 200 modelos por coleção, entre calças, shorts, vestidos, chemises, etc., enfim, peças paras as mais variadas situações e circunstâncias.

“O denim ocupa hoje o lugar que outros tecidos ocupavam antigamente. E isso permite que ele abrace todo o guarda-roupa da mulher e até mesmo do homem”, conta grife. A seguir, ela fala mais deste mercado, do poder do denim no design e dá dicas do que fazer para impressionar o júri do concurso.
Qual a coisa mais legal de se trabalhar só com jeans?
O jeans hoje vem ficando cada vez mais versátil. Hoje nós temos denim de 5 onças até o de 12 onças. Quando eu vou fazer uma calça boyfriend para alto verão, por exemplo, eu pego um denim que é um pouco mais leve, que não é tão pesado. Na Europa eles usam denins de 10 a 12 onças. Aqui no Brasil é calor o tempo inteiro na maior parte do país e a gente usa denins mais leves, como os da Canatiba. Com esse tipo de tecido conseguimos ampliar a quantidade de produtos que fazemos com ele. Não ficamos mais só na calça jeans. Fazemos camisas, chemises, vestidos, coletes, tops, vestidos justos ao estilo Herve Leger, leggings, saias com o [denim] Moto Slim Fit da Canatiba, que é supermacio e superelástico.
Como você vê a influência do jeans hoje?
A moda nestes últimos anos abraçou o jeans. Antigamente não se via tanto denim na passarela. Mas no último inverno houve um boom do jeans. Com a fabricação de tecidos novos, mais leves, mais elásticos, ele substitui um tecido plano, uma malha... O denim ocupa hoje o lugar de outros tecidos e isso permite que ele abrace todo guarda roupa da mulher e até mesmo do homem. Até em sapatos, tênis e botas se usa denim. Já vi cadeiras de denim! Todo mundo ama denim. É um tecido muito versátil. Se você não sabe o que vestir, você põe um jeans, ele é um curinga. Jeans é demais!
Que conselho você daria aos participantes do concurso que escolheram o segmento do jeanswear para trabalhar?
Como é passarela e moda, é legal a gente ver o que o participante que é jovem e novo vai enxergar no jeans. De repente, ele vai ter uma sacada que eu não teria. Para mim, eles têm que pegar o denim e realmente fazer algo diferente, não só calças e jaquetas. Tem que fazer que o denim entre num vestido de festa, num longo, num xale... Se eu estivesse na banca julgadora, gostaria de ser surpreendida e iria avaliar melhor uma pessoa que fosse mais criativa. Não precisa fazer coisa louca, mas dá para se soltar sem ficar preso aos paradigmas do jeans.
Que tipo de referência ou aspecto você acha interessante de os participantes e estilistas observarem hoje em dia?
Tem que realmente pesquisar moda, mas de uma maneira geral. Não veja só revista de moda. A pessoa tem que sentar numa Oscar Freire [reduto das principais marcas e clientes de moda em São Paulo] e ver as pessoas indo e voltando. Tem que ter uma observação, um olhar sobre o que você acha que aquela pessoa iria gostar. Tem que ter a percepção do que as pessoas estão vestindo, do lugar onde você vive, do clima, se chove muito,... Ler sobre natureza, guerra, economia. Tudo que acontece no mundo é importante na hora de você criar. A pessoa que vai trabalhar com moda tem que se tornar uma observadora do mundo. Não basta criar, o estilista tem que ter pé no chão de criar algo que as pessoas precisem e queiram.


